O corpo como expressão e linguagem em Merleau-Ponty
O gesto corporal
Merleau-Ponty (1945/1994) recorrerá ao gesto para esclarecer a comunicação pela palavra, buscando no corpo não só a compreensão do problema da linguagem, mas também o entendimento de uma questão mais abrangente, a expressão. Segundo ele, há um mesmo modo de apreensão sensível na base da compreensão da fala e do gesto corporal. Apreende-se o significado da palavra assim como apreende-se o sentido de um gesto: "...eu não percebo a cólera ou a ameaça como um fato psíquico escondido atrás do gesto, leio a cólera no gesto, o gesto não me faz pensar na cólera, ele é a própria cólera" (p. 251). Isto não quer dizer, porém, que Merleau-Ponty simplifique a análise do gesto, reduzindo sua compreensão a um imediatismo da percepção, como se os gestos fossem objetivamente dados na experiência do sujeito. Ele diz:
Todavia, o sentido do gesto não é percebido do mesmo modo que, por exemplo, a cor do tapete. Se ele me fosse dado como uma coisa, não se vê por que minha compreensão dos gestos se limitaria, na maior parte das vezes, aos gestos humanos. (p. 251)
Ele não está defendendo algum tipo de naturalismo da comunicação: o sentido dos gestos não existe naturalmente. Assim, sua posição em nada se identifica com as correntes naturalistas que, comumente, reduzem o signo artificial ao signo natural, e tomam o comportamento e suas significações culturais, em geral, como inerentes à natureza humana. No que se refere à linguagem, os naturalistas encerram a explicação do problema na expressão das emoções e tentam reduzir a fala ao que ela teria de natural. Merleau-Ponty, por sua vez, recorre à expressão emocional dos gestos para encontrar aí os primeiros indícios da linguagem como um fenômeno autêntico, mas evitando o risco do reducionismo como ocorre na concepção naturalista, pois tanto a fala como o gesto são fenômenos específicos e contingentes em relação a organização corporal. Ou seja, "aproximando a linguagem das expressões emocionais, não se compromete aquilo que ela tem de específico, se é verdade que já a emoção (...) é contingente em relação aos dispositivos mecânicos contidos em nosso corpo..." (Merleau-Ponty, 1945/1994, p. 256).
Em outros termos, o autor coloca que não haveria um signo natural no homem e, neste sentido, não é possível reduzir suas aquisições à ordem de uma natureza humana. Para ele, de certo modo, é irrelevante a distinção entre o que é natural e o que é construído, uma vez que todas as condutas estão fundamentadas em um ser biológico mas, ao mesmo tempo, não se definem exclusivamente pelas estruturas anatômicas e fisiológicas que habitam. Com relação a essa questão, o autor observa o fato de que sentimentos agrupados pelo mesmo nome são vivenciados de maneira distinta e até mesmo contrastante por pessoas de culturas diferentes. Nesse sentido, um oriental e um ocidental não experimentam a mesma emoção na mímica da cólera ou do amor. Na cólera, por exemplo, o japonês sorri, enquanto que o ocidental enrubesce e eleva o tom de voz. Por isso:
Não basta que dois sujeitos conscientes tenham os mesmos órgãos e o mesmo sistema nervoso para que em ambos as mesmas emoções se representem pelos mesmos signos. O que importa é a maneira pela qual eles fazem uso de seu corpo (...). O uso que um homem fará de seu corpo é transcendente em relação a esse corpo enquanto ser simplesmente biológico. Gritar na cólera ou abraçar no amor não é mais natural ou menos convencional do que chamar uma mesa de mesa. (Merleau-Ponty, 1945/1994, pp. 256-257)
Merleau-Ponty (1945/1994) não nega que o ato de comunicação seja contingente, e que exista sempre em face de uma dada situação. De modo que faz sentido não compreendermos a peculiaridade do comportamento de outros animais, assim como também nos auxilia a entender porque é tão difícil compreendermos as formas de vida muito diferentes da nossa. Diz ele: "eu não compreendo a mímica sexual do cão, menos ainda a do besouro ou do louva-deus. Não compreendo nem mesmo a expressão das emoções nos primitivos ou em meios muito diferentes do meu" (p. 251). A esse respeito, é ilustrativo o exemplo citado pelo autor sobre a percepção do ato sexual pela criança. O sentido desta cena será insólito, ou melhor, obscuro para a criança enquanto ela não encontrar em si mesma, isto é, em seu corpo, a possibilidade de sentido que visa àquela conduta:
É verdade que freqüentemente o conhecimento do outro ilumina o conhecimento de si: o espetáculo exterior revela à criança o sentido de suas próprias pulsões propondo-lhes uma meta. Mas o exemplo passaria despercebido se ele não se encontrasse com as possibilidades internas da criança. (Merleau-Ponty, 1945/1994, p. 251)
Os gestos, portanto, não são oferecidos deliberadamente ao espectador como uma coisa a ser assimilada; eles são retomados por um ato de compreensão, cujo fundamento nos remete à situação em que o sujeitos da comunicação - eu e o outro - estão mutuamente envolvidos em uma relação de troca de intenções e gestos. Em outros termos:
O sentido dos gestos não é dado, mas compreendido, quer dizer, retomado por um ato do espectador. Toda dificuldade é conceber bem esse ato e não confundi-lo com uma operação do conhecimento. Obtém-se a comunicação ou a compreensão dos gestos pela reciprocidade entre minhas intenções e os gestos do outro, entre meus gestos e intenções legíveis na conduta do outro. Tudo se passa como se a intenção do outro habitasse meu corpo ou como se minhas intenções habitassem o seu. (Merleau-Ponty, 1945/1994, p. 251)
Desse modo, a significação expressa na conduta do outro vem encontrar em mim a legitimação de seu sentido, e vice-versa: vejo no outro um reflexo de minhas próprias possibilidades, intenções que podem fazer parte de minha própria conduta. Isto significa que o comportamento tem uma conotação intersubjetiva, e isso desde os primórdios da intencionalidade motora, na qual a criança encontra no outro a possibilidade de parceria e troca de suas intenções. A comunicação realiza-se quando há "confirmação do outro por mim e de mim pelo outro" (Merleau-Ponty, 1945/1994, p. 252).
Tem-se, então, que o corpo visado enquanto fenômeno e não enquanto coisa é portador de uma capacidade singular de apreender o sentido de outra conduta, seja o sentido do gesto ou da fala do outro; e a palavra também é um gesto e uma forma de conduta. Merleau-Ponty diz que eu só consigo compreender a intencionalidade do outro - e sua atitude para comigo - porque através do meu corpo posso torná-la minha. Assim, encontramos em seu pensamento um lugar especial para o corpo, a ele é atribuído uma potência expressiva que lhe é imanente: o corpo é intencionalidade que se exprime, e que secreta a própria significação. Melhor dizendo, a análise do corpo põe à mostra o vínculo entre expressão e exprimido, cuja indissociabilidade está presente em todas as linguagens, constituindo mesmo a natureza do fenômeno expressivo.
O corpo é a expressão de uma conduta e, ao mesmo tempo, criador de seu sentido a partir de uma intenção que se esboça e reclama a sua complementação. Antes da expressão há apenas uma ausência determinada que o gesto ou a linguagem procura preencher e completar.
Fonte da pesquisa: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2003000300011&lng=pt&nrm=iso
Principais movimentos oculares
Para cima à direita – Toda vez que uma pessoa olha nessa direção está ativando o cérebro a criar imagens.
Para cima à esquerda – Esse movimento dos olhos faz o cérebro resgatar arquivos visuais na memória.
Ao fazer uma abstração o ser humano, invariavelmente, olha para cima. Experimente fazer uma conta matemática mentalmente e perceba como seus olhos movimentam-se para cima.
Para o lado esquerdo – Este movimento, como se olhássemos para na direção do ouvido, ativa os arquivos de memória ligados à audição. Utilizamos este movimento dos olhos para lembrar de músicas ou sons que ouvimos no passado.
Para o lado direito – Olhando nessa direção, estimulamos nosso cérebro a criar novos sons. Os músicos utilizam com frequência este movimento ao comporem novas músicas e ao prepararem novos arranjos musicais.
Para baixo à direta – Com este movimento estimulamos uma conversa mental com nós mesmos.
Para baixo à esquerda – Ao olhar nessa direção remoemos sentimentos. Lembramos de coisas que nos fazem sofrer e enquanto continuamos olhando nesta direção estamos alimentando a melancolia. Mudando o movimento dos olhos para cima, interrompemos este processo.
Para baixo – O movimento dos olhos como se olhássemos para a ponta do nariz ativa os nossos sentidos olfativos. Por isso enólogos ao degustarem vinhos olham para a ponta do nariz.
Mas o que é o gesto? Gesto é o movimento corporal próprio das articulações, principalmente dos movimentos corporais que são realizados com as mãos, braços e cabeça, este gesto é diferente do que denominamos gesticulação, já que a gesticulação é um movimento anárquico, artificioso e inexpressivo. Foram identificados e classificados cinco tipos de gestos:
a) gestos simbólicos ou emblemas;
b) gestos ilustrativos ou ilustradores;
c) gestos indicadores do estado emocional;
d) gestos reguladores da interação;
e) gestos de adaptação ou adaptadores.
Gestos simbólicos ou emblemas, são sinais emitidos intencionalmente, o seu significado é específico e muito claro, já que representa uma palavra ou um conjunto de palavras bem conhecidas, como por exemplo, levantar o polegar para cima.
Gestos ilustrativos ou ilustradores ocorrem, durante a comunicação verbal e servem para ilustrar o que se está dizer. Qualquer tipo de movimento corporal que desempenha um papel auxiliar na comunicação não verbal, é um ilustrador.
Gestos indicadores do estado emocional, são semelhantes aos ilustradores no sentido em que também acompanha a palavra, mas difere no aspecto que este tipo reflecte o estado emotivo em que se encontra a pessoa. Através deste tipo de gestos expressa-se a ansiedade ou a tensão do momento.
Gestos reguladores da interação, são movimentos produzidos por quem fala ou por quem ouve com a finalidade de regular as intervenções na interação. Os gestos reguladores mais frequentes são as inclinações de cabeça e o olhar fixo.
Gestos de adaptação ou adaptadores, são gestos utilizados para esconder emoções que não queremos expressar. São utilizados quando o nosso estado de ânimo não é compatível com a situação interacional.
Fonte da pesquisa:
http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=147&doc=10985&mid=2
Fonte da pesquisa:
http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=147&doc=10985&mid=2
Ilustração por Nick Houston.
É aparentemente difícil reconhecer quando alguém está triste, certo? ERRADO! Conforme a ilustração acima, você perceberia a tristeza neste rosto mesmo se não tivesse a lágrima escorrendo pelo nariz. Mas por quê? Uma das primeiras informações que percebemos em alguém triste é a insegurança, embora muitas vezes não seja o mais evidente dos sintomas visualmente perceptíveis. Quase sempre o indivíduo triste evita o contato visual, às vezes tampando o rosto e/ou olhando para baixo (conforme o exemplo acima). A famosa “Exclusão Social” é apenas um exemplo do motivo de muitas dessas expressões:
Ilustração por Nick Houston.
Outro gesto facial MUITO usado por alguém triste é o famoso sorriso forçado. Sim, realmente algumas vezes nos deixamos enganar por um sorriso, se o mesmo for "bem interpretado", porém, como provavelmente já percebemos o que mais demostra o sentimento de uma pessoa são os olhos, conforme é informado na ilustração abaixo:
Auto-retrato por Nick Houston.
Livro O Corpo Fala







Muito boa as postagens. Ótimo blog!
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